segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Desespero ou Esperança


(1 Co 15:1- 19,32)

O mundo está em desordem! As principais economias do mundo estão em declínio.
A Europa está ruindo. Os Estados Unidos, a mais poderosa das nações, está em um abismo econômico, o que fez com que as bolsas do mundo inteiro caíssem provocando perdas gigantes.
Surge a China como potencia econômica, mas com sérios problemas estruturais e sem nenhum respeito humano deixando milhões de pessoas vivendo na miséria total. O Brasil que também surge como um país também em crescimento, mas tem suas principais necessidades ainda abaixo da média mundial.

O eco-sistema esta em desequilíbrio, cada dia mais terremotos, vulcões em erupção, enchentes, chuvas fora de temporada, clima em constante mudança.

Os homens de hoje já trazem em sai as características enumerada pelo apostolo Paulo como as marcas dos homens dos tempos finais: egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus (2 Tm.3:15).
Como conseqüências dessas marcas desastrosas no ser humano, o que se vê são assassinatos, corrupção, a própria justiça ameaçada e vencida por bandidos, adolescentes se drogando e se prostituindo por comida, AIDS alcançando níveis alarmantes.

O que esperar do futuro da humanidade? Há solução? Será possível mudar esse quadro mundial?

Os mais “crentes” lembrarão: a igreja é a solução para transforma o mundo.

A “igreja”?
A igreja mergulha num misticismo, numa pratica umbandista para alcançar uma bênção, é conduzida por líderes gananciosos que visam não o bem dos discípulos e sim os seus bens. Isso tem gerado gente apóstata, ou seja, que abandona a fé verdadeira seguindo espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Como conseqüência imediata uns deixam a fé de uma vez e outros estão abandonando o barco das instituições chamadas “igrejas”.
Pra piorar ainda mais a igreja embarcou em uma furada, embarcou na teologia da prosperidade que tem um efeito destruidor porque remete cada crente nela a uma espiritualidade da terra e para terra. Essa teologia gera gente gananciosa em cujo olhar e expectativa não há transcendência. A “igreja” abandonou o evangelho e adotou pra si um evangelho misturado com muitas porções de água suja.

Todos esses fatores juntos geram desespero, angustias e incertezas. Se tudo se resumisse ao que vemos poderíamos concluir: Não há futuro, não há esperança, instalou-se o desespero!

O apostolo Paulo na sua primeira carta aos coríntios solta um grito pra acordar a todos que crêem nessas coisas: “Se a nossa esperança se resumir a esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”.
Paulo afirma que o que nos garante não é a esperança da terra, mas a esperança da eternidade, e essa esperança só pode encontrada na convicção da ressurreição, na convicção da eternidade vivos com Jesus Cristo.
A ressurreição não é uma doutrina e muito menos uma teologia, é um fator essencial em nossa esperança. Paulo afirma ainda que se não há ressurreição então Cristo não ressuscitou e se Cristo não ressuscitou nossa fé é inútil. Se isso não for verdade então nada é verdade e só nos resta comer e beber até morrer – “comamos e bebamos que amanhã morreremos”.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Como as coisas mudaram!


Os noticiários são claros e mostram a cada dia “lideres”, uns chamados de pastores outros de bispos, apóstolos e até patriarcas, comprando os seus jatinhos particulares evidenciando um grande enriquecimento e vivendo uma vida nabesca à custa dos seus “fieis”.

Como as coisas mudaram!
O apostolo Paulo foi um grande bobão, penso eu na visão desses novos ricos evangélicos. Ele acreditava que não devia ser um peso para os discípulos. Não desejava os seus bens, mas sim o bem de cada um deles. Acreditava em um principio contrário ao que esses ricos “lideres” de hoje acreditam. Cria que “os filhos não devem ajuntar riquezas para os pais, mas sim os pais para os filhos” (2 Co.12:14).

Como as coisas mudaram!
Mudaram tanto o que chamam a Palavra de Deus que me pergunto: O enriquecimento exponencial desses “líderes” sem um equivalente enriquecimento dos “fiéis” não se caracteriza uma busca pelos bens e não pelo bem dos fiéis? Não se caracteriza um ajuntamento de riqueza dos filhos espirituais para os “pais espirituais”? Será que não nada errado nesse “evangelho”?

Como as coisas precisam mudar!
Estamos carentes de pastores sem títulos, somente com uma tarefa deixada pelo Senhor de fazer discípulos, batizando-os e ensinando-os a guardar tudo que foi ordenado (Mt.28:19-20).
Estamos carentes de pastores que pastoreiam sem obrigação, mas de livre vontade, sem ser por ganância, mas com o desejo de servir e sem agirem como dominadores do rebanho, mas sim como exemplos (1 Pe.5:2,3).

Graças a Deus que há coisas que não mudaram!
A verdade é que ainda há os remanescentes do Reino de Deus como ele é. Há mais que sete mil que não se dobraram diante de Baal, Mamon ou qualquer outro idolozinho travestido de profeta, bispo, apostolo, pai ou patriarca.
É possível encontrarmos gente simples com temor de Deus que ensina o evangelho puro de Jesus, que não busca os bens dos fieis, mas sim o bem de cada um.
Ao encontrá-los una-se a eles porque o caminho que percorrem é a vereda dos justos que é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito (Pv.4;18)

Jesus tinha razão, nosso projeto de vida é de ovelhas no meio de lobos e eles estão entre nós. “Salvai-vos desta geração perversa”.

Tomaz de Aquino

São Luis, 16/08/11

sábado, 18 de junho de 2011

Oraganizações Tabajaras


Esse é um quadro de um famoso programa de televisão onde são apresentadas as mais diversas e divertidas soluções para os grandes problemas da vida e muitas vezes para os bobos e alguns insolúveis. Vai de uma solução para o simples problema de um fétido pum a soluções mirabolantes para o relacionamento com as sogras.
O que mais me intriga é a semelhança das soluções do marketing eclesiástico para os problemas comuns da vida.
Uma doença pode ser resolvida com um copo d’água. Um mal qualquer pode ser atribuído a um encosto para exorcistas de plantão resolver. A dor passa a ser necessariamente uma obra de demônios enquanto que o prazer sempre será algo vindo de Deus.A miséria pode ser resolvida com uma oferta. A riqueza pode chegar através de gordas dádivas. O pedir um simples carnê já torna uma pessoa mais que vencedor. Que carnê poderoso!

Aonde chegaremos? Chegaremos a obrigar Deus a fazer o que queremos através das nossas doações às igrejas, a pastores e mesmo a obras missionárias transculturais.
A salvação voltará a ser pelas indulgências? Não estamos longe disso.
É mais fácil encarar os problemas da vida, como sendo culpa do diabo e, portanto tendo suas soluções espirituais, do que aceitar que somos os únicos responsáveis por administramos tanto a terra como a nossa vida segundo nossas próprias verdades e vontades.
Algumas “igrejas” têm uma visão materialista e humanista da vida e se comportam como uma verdadeira organização Tabajaras apresentando solução para todos os problemas da vida. Um pouco de óleo de Israel cura todo mal, enquanto que a água do rio Jordão se torna uma espécie de água benta trazendo todo tipo de bênçãos. Passar debaixo de um manto lhe garante uma nova unção, assim como se tornar um assíduo contribuinte de um determinado ministério lhe agregada propriedades que como ima atraem riquezas e propriedade.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Soberania de Deus



“Reina o SENHOR; tremam os povos. Ele está entronizado acima dos querubins; abale-se a terra” (Salmos 99:1). “O SENHOR reina para sempre; o teu Deus, ó Sião, reina de geração em geração. Aleluia!” (Salmo 146:10).

Deus é soberano. Essa é uma verdade imutável. Ele reina, está sentado no trono e não abdicou da sua posição por nada e nem por ninguém. No entanto dizer que Deus é soberano é o mesmo que dizer que Ele está no controle de todas as coisas? Pode ser que sim ou pode ser que não, dependendo do que cada um chama de “estar no controle”.
Se está no controle implica que Ele se tornou um xerife do universo em busca de todas as possibilidades de acontecimentos que não condizem com sua vontade para impedir, então Ele não está no controle. Se Implica em dizer que Ele nos defende de todas as tragédias da vida, que evita todas as dores, que resolve todas as nossas crises, então, Ele não está no controle.

O Deus que está no controle, segundo essa perspectiva, foi transformado no deus que encontra espaço no estacionamento, faz nossa fila andar mais rápido, coloca nosso processo à frente dos outros, evita a tragédia nos crentes, impede que coisas ruins aconteçam com gente boa. Mas isso acontece? Comigo não e olha que sou crente! Se essa for a perspectiva em Deus, então, Ele não está no controle.

Creio em Deus de todo meu coração. Ele é o criador de todas as coisas que sustenta o universo com as suas próprias mãos. Creio em Deus como o único e soberano Deus que tem em suas mãos todas e infinitas possibilidades que pode e intervém no universo na vida dos seres humanos, no cosmo, na natureza e em toda e qualquer coisa que quiser, a ora que quiser e do jeito que quiser.

Não creio num deus que fez tanto os seres humanos quanto a natureza criados como fantoches ou marionetes. Creio no Deus soberano que entregou a terra aos filhos dos homens e os responsabiliza pelos acontecimentos, que estabeleceu a lei que toda colheita é dependente diretamente das sementes plantadas.

Creio no Deus cheio de amor e compaixão que pela sua misericórdia intervém na vida dos homens e na terra no momento da sua vontade exatamente porque é soberano. Creio no Deus que não é manipulado por ninguém, que não se sente culpado pelo que aqui acontece, que não se deixa constranger por declarações, decretos ou argumentos humanos. Creio no Deus que por ser soberano sabe tudo sobre nós e nos ama do jeito que somos e estamos e que seu amor não muda ainda que soframos.

Sim, Deus é soberano do mesmo jeito que foi ontem, é hoje e será sempre. Exatamente por sua soberania um dia virá e assumirá o controle definitivo de tudo e de todas. Nesse dia, ele porá a terra e a natureza em ordem, assim como enxugará de nossos olhos toda lágrima e não haverá mais doenças, enfermidades, maldições ou qualquer outra coisa que não diga respeito a sua santidade.

Deus é soberano. É preciso orar à moda antiga e abandonar os nossos neologismos religiosos do tipo: eu declaro, eu decreto, eu determino. Orar à moda antiga é dizer se for da tua vontade eu farei isso ou aquilo, se for da tua vontade passa de mim essa tribulação. Porque Ele é soberano é tempo de voltar a dizer: “venha o teu reino e seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu”.



São Luis, 25 de maio de 2011.


Tomaz de Aquino

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Não Matarás




Segunda-feira dia 02 de maio/110 o mundo amanheceu com a noticia da execução de Osama Bin Laden o terrorista mais procurado do mundo e inimigo numero um dos Estados Unidos da América. Ele era procurado por muitos atos terroristas, mas principalmente pelo 11 de setembro, quando as torres gêmeas foram derrubadas por dois aviões e mais de três mil pessoas morreram.

É verdade que muitas pessoas e nações se alegraram com esse fato, sendo os mais eufóricos os americanos que fizeram celebrações nas ruas de várias cidades.

Mas vale perguntar: O que vai mudar? Não surgirão outros Bin Laden, outros terroristas?  Não surgirão outros para provocarem os mesmos crimes ou ainda piores? Na verdade já deve haver um substituto a altura do eliminado e que poderá causar dores e tragédias tão grandes ou ainda maiores.

Gostaria muito de afirmar que nunca mais surgirão novos terroristas, que os direitos humanos não serão violados, que nunca mais outros inocentes serão assassinados, nunca mais jovens morrerão nas guerras insanas motivadas por orgulho, vaidade, avareza, desejo de poder e controle. Gostaria de afirmar que nunca mais crianças serão abandonadas nas ruas, no lixo, nas calçadas e que nunca mais os seres humanos terão os seus diretos, de viver uma vida com dignidade, cerceados pelos poderes instituídos.

No entanto o que mais me preocupa é o direito recebido, não sei de quem, para um homem matar outro homem. Esta insana execução me faz perguntar: “Tem o homem autoridade de matar outro, por pecados, erros, violações de direitos que ele mesmo pode cometer?”. Será que os Estados Unidos fez foi justiça ou mera vingança?

Não quero ser tomado como um louco ou alguém que era seguidor de Bin Laden. Longe de mim! Mas usando esse “exemplo para o mundo” quero pensar sobre o que Deus diria sobre tal execução?

Deus disse e dia ainda, não matarás!
Por quê? Não será por ser algo abominável atentar contra a vida de um outro ser humano? Caím foi o primeiro assassino. Ele não tinha os mesmos motivos de Osama ou mesmo dos Estados Unidos, mas matou seu irmão, aliás, o único irmão. No entanto o próprio Deus não autorizou a execução de Caím, mas de alguma forma o protegeu colocando uma marca para que não fosse ferido de morte.

Estaria Deus sendo conivente com erro de Caím?
De forma nenhuma! Caím já estava condenado. Uma culpa o consumia a ponto de afirmar que já não podia suportar. Viveria como um fugitivo na terra, alem de ser vitima de si mesmo pela sua própria auto-condenação que o levava a se esconder da presença de Deus.
Já não era condenação suficiente? Deus não autorizou a pena de morte para Caím, mas disse: “Assim qualquer que matar Caím será vingado sete vezes mais”.

Estas palavras me fazem sentir um arrepio, pois é possível que hoje mesmo Deus tenha dito aquelas mesmas palavras contra aqueles que mataram Bin Laden. Não a seus executores propriamente ditos, mas aos que impuseram e exigiram tal ação. Deus nunca violará seus mandamentos, Ele nunca apoiará os assassinatos, pois será um “sujo matando um mal lavado”. Ele continua dizendo ainda hoje: “Não matarás”.

A execução de Bin Laden foi o veredicto do tribunal dos homens.
Como seria Bin Laden sendo levado a Jesus Cristo aqui na terra? Vamos imaginar essa cena. Seus acusadores diriam: “Este homem foi apanhado violando direitos humanos, matando seus compatriotas por não concordarem com sua maneira de governar. Encontramos provas incontestáveis de que ele matou mais de três mil pessoas inocentes de uma só vez e a nossa nação exige que seja morto. O que tu dizes sobre este caso?”.
Jesus se levantaria da sua cadeira e diria: “Eu concordo que a lei seja respeitada e este homem morto pelos seus crimes. Mas quero, no entanto, que os executores sejam pessoas que nunca violaram nenhum direito humano, nunca provocaram nenhuma morte de espécie nenhuma. Que nunca promoveram a injustiça em seus governos, nunca enviaram seus soldados para morrerem em guerras injustas e com fins escusos. Quando encontrarem tais homens os reúna e os faça cumprir tal sentença de morte”. Todos ali sairiam de fininho, e olha que estariam ali grandes figuras, presidentes, ministros, chefes de estados, religiosos, lideres de grandes religiões. As televisões do mundo os mostrariam saindo de “rabo entre as pernas”.

Jesus em seguida falaria a Bin Laden: “Onde estão seus acusadores?”. Ele responderia: “Foram todos embora? Então Jesus diria: Vá, mas nunca mais mate outro ser humano, nunca mais viole os direitos humanos, nunca promova o terrorismo, pois o tribunal que enfrentarás é justo. Enfrentarás o justo juiz e dele não escaparás”.

Osama Bin Laden foi assassinado!
Os que o condenaram como um assassino agora se tornaram como ele, ou seja, já temos novos “Bin Ladens entre nós”.
Tal execução não foi e nem será uma grande vitoria contra o terrorismo, mas contribuirá para que o ódio, a vingança sejam alimentados e mais “Osamas” surjam promovendo maiores atrocidades das que já foram praticadas pelo primeiro.

Deus não mudou e ainda afirma: Não matarás!
A minha, a sua atitude como discípulos de Jesus para com os executores de Bin Laden deve ser a mesma de Jesus – “Perdoa-lhes Pai, eles não sabem o que fazem!”.


Tomaz de Aquino

São Luis, 04/maio/2011


terça-feira, 3 de maio de 2011

A unidade no Reino de Deus


(Jo.17;1-25)

Este é um dos momentos mais cruciais da vida de Jesus Cristo. Logo seria preso e entregue as autoridades romanas para que fosse crucificado. Mesmo na maior angústia da sua alma, Jesus teve forças para uma conversa com o Pai sobre sua tarefa na terra e sobre seus discípulos que ficariam para dar continuidade na edificação do Reino de Deus.

O ponto alto desta conversa é o alvo desejado por Jesus para seus discípulos: “para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti” – A Unidade.  Esta tão alardeada unidade que não aprendemos ainda a desenvolver se tornou uma utopia evangélica.

Por que não a temos?
Primeiro porque nós mesmos configuramos o tipo de unidade que devemos desenvolver: Uma só igreja, um só rebanho em um só lugar. Uma mesma visão. Sim! Esta visão é utópica. Com tanto narcisismo entre nós quem abriria mão do seu posto, da sua visão ou mesmo dos seus sonhos?
Segundo porque não descobrimos que a unidade desejada por Jesus está feita, basta desenvolver os elementos que o próprio Jesus nos legou para sermos um.

A verdade bíblica é que já somos um. Jesus fez tudo para essa unidade. Sua oração já foi ouvida. Não a unidade do espaço físico, do mesmo nome na placa, da mesma crença teológica. Não! Creio que isso nunca teremos. É fundamental, portanto deixar claro o que é que nos faz se já o somos.

O que nos faz um?

Temos a mesma revelação, o nome de Jesus (v,6).
O nome que está acima de todo nome e que todo joelho se dobrará no céu e na terra.
O único nome pelo qual importa que sejamos salvos.
O nome diante de quem obedecem as enfermidades e os demônios.
Jesus, o Cristo de Deus, o filho do Deus vivo.
Nós somos um com todos aqueles que têm a marca de Jesus.

Temos a mesma palavra (v,8).
Não há várias palavras de Deus, mas uma só palavra. A sua palavra jamais passará.
Há muitas vozes humanas, mas há uma só voz de Deus. O problema é que criamos as nossas próprias palavras, nossas próprias crenças e interpretações. Em busca do sucesso, do reconhecimento humano buscamos novas revelações que satisfaçam nossos ouvintes (2 Tm 4:3,4).

Temos a mesma oração sobre nós (v,9-11, 20,21).
Quando Jesus orou foi tanto pelos seus discípulos daqueles dias quanto pelos que haveriam de crer depois. Você acha que há possibilidade da oração de Jesus não ter sido ouvida?
Termos a mesma oração significa que temos o mesmo intercessor, o mesmo advogado (1 Jo. 2;1)

Temos a mesma proteção (v,11)
Todos recebemos pela oração de Jesus a mesma proteção. Que proteção? A proteção do nome do Pai. Nossa proteção não é humana, mas divina. Não é um homem igual a nós que protege as nossas vidas, mas o próprio nome do Pai – aquele que é tudo em todos (Ef.3:14,15).
Se o Senhor não guardar quem nos guardará?
Se o Senhor é por mim quem será contra mim?

Temos a mesma missão (v,18).
Este é um grande privilégio. Fomos enviados por Jesus na mesma missão que o Pai o enviou.
Temos dois problemas: O Primeiro problema é que não estamos satisfeitos com essa missão e criamos a nossa. O segundo problema é por falta de entendimento sobre a missão ela virou um fardo pesado.
O que Jesus fez que nós podemos fazer? Jesus fez discípulos ensinando e vivendo o evangelho do reino de Deus.

Temos a mesma glória (v,22).
Penso que a igreja dos nossos dias não descobriu tal privilégio, ter de Jesus a glória que o Pai deu a Ele. Por isso corremos atrás de outras glórias – a glória de ser a maior denominação. A glória de ter o maior templo, a melhor metodologia, a maior igreja.
Que glória é essa que Jesus fala? (Jo.1:14). É a glória do Pai. Jesus nos deu a glória de Deus para que o mundo veja em nós, Deus.

Temos o mesmo amor (v,23).
Somos amados do Pai com o mesmo amor com que Ele amou Jesus. Esse amor não o livrou das dores, das ofensas, das mentiras, das provocações, das angústias e muito menos da cruz. Mas esse mesmo amor o trouxe de volta à vida ressuscitando-o dos mortos.

Já temos a unidade tão desejada. Nossa dificuldade é vivê-la. Nós criamos a nossa própria palavra, nossas próprias orações, nossas próprias proteções e coberturas humanas, nossa própria missão, nossa própria glória.

Somos um quando vivemos sob a mesma revelação, sob a mesma palavra, quando temos o mesmo intercessor, quando estamos debaixo da mesma proteção, quando desenvolvemos a mesma missão, quando expressamos a mesma glória e quando recebemos e oferecemos o mesmo amor com que Deus nos amou.

O desejo de Jesus é que sejamos um e Ele mesmo já nos deu tudo que precisamos para tal unidade. A unidade é Jesus em nós, Deus em Jesus, logo Deus em nós (v,22,23). A unidade é Jesus visto em nós, Deus visto em Jesus o que implica Deus visto em nós.

Aleluia!!!


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quando a Vida morreu



“A vida estava nele e a vida era a luz dos homens”.

Numa sexta-feira, a mais de dois mil anos atrás aquele que disse “eu sou a ressurreição e a vida” morreu.

Esse foi o momento da maior de todas as incoerências e perplexidades do cosmos. A natureza se revoltou produzindo escuridão em pleno dia, os túmulos se abriram liberando seus mortos, a religião se partiu de cima abaixo simbolizada pelo rasgar do véu do templo, enquanto o céu diante de tamanha incoerência ficou de tal forma perplexo que se manteve em silencio por meia hora. Todos estavam atônitos!

Enquanto isso na terra, onde a Vida morria poucos se importavam com esse fato. Os seres humanos os beneficiários da morte da vida continuaram a viver como se nada tivesse acontecendo.

A Vida morreu para que houvesse Vida em todos – “se o grão de trigo não morrer fica ele só”. A Vida morreu para que todos os que nela cressem fossem livres da morte eterna. A Vida veio para ser entregue a quem estava morto a fim de que revivessem.

A Vida é Jesus quem nele crer tem a vida eterna passa da morte para a vida. A vida não lhe foi tirada ele mesmo a entregou e o fez por amor para que “todo o que nele crer tenha a vida eterna”.

Nesse dia que lembramos a morte de Jesus deveríamos celebrar a vida, pois pela sua morte obtivemos vida eterna.

Bendita morte que nos trousse Vida!


Tomaz de Aquino

22 abril de 2011,

Juazeiro do Norte 


quinta-feira, 7 de abril de 2011

A Essencialidade do Espírito Santo



Jesus, ainda com seus discípulos, prometeu enviar-lhes um outro, que chamou de ajudador. A verdade seria lembrada e ensinada por Ele, a tarefa seria consumada através Dele, a força e a unção que precisávamos viria através Dele.
Jesus disse: “Eu não vos deixarei órfãos”. O que significa? Significa que o sentido de ser filho só seria sentido por aqueles que recebessem o Espírito Santo.  O Espírito Santo receberia do que era de Jesus e por isso o glorificaria.

Por tudo isso, é claro que o Espírito Santo não é algo descartável.
Não é somente importante, é imprescindível, é essencial para tudo que quisermos realizar no reino de Deus. O reino de Deus não é movido pelo esforço humano, mas pelo poder do Espírito Santo.

Paulo aprendeu sobre a essencialidade do Espírito Santo (vv. 1,2,4).
Ele dizia: “Não fui entre vós com sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder. Tudo que lhe apresentei foi o evangelho puro e simples: Jesus crucificado”.
Paulo não era um homem ignorante, sem conhecimento para ser simplista, mas o seu testemunho tinha um foco e este foco era Jesus crucificado e o fazia no poder do Espírito. Ele usava uma mensagem que tinha poder para salvar pessoas. “Porque o evangelho é o poder de Deus para todo aquele que crer”.
Ele continuava dizendo: “eu mesmo estava em fraqueza, temor e tremor”.
Aparentemente esta mensagem que enfocava, o evangelho, não demonstrava sabedoria, mas grande poder e poder para salvar (I Co. 1:17-18).
Ele não foi aos coríntios com palavras bem elaboradas, pensamentos psicologicamente corretos enquadrados na psicologia moderna, dentro dos parâmetros da nova metologia da administração, obedecendo ao fluxo da modernização  e tecnologia atual. Tudo que ele falava não continha sabedoria do homem, mas demonstração do Espírito e poder.
Este é o principal erro das igrejas em nossos dias, esquecem o poder do Espírito e buscam ajuda nas mais recentes ondas da modernização. Sem poder do Espírito Santo não há sucesso verdadeiro.
A palavra de Paulo consistia basicamente em demonstração do Espírito e do poder de Deus.
A demonstração do Espirito não era qualquer pirotecnia espiritual mais radical, mas sim uma evidencia clara de que o Espirito Santo estava nele. O Espírito se mostrava ou se demonstrava. O poder de Deus era evidente, pois muitas pessoas estavam sendo salvas. Paulo pregava um evangelho puro e simples, testemunhava que Jesus é o Cristo e o resultado era salvação(At. 18:5-8). 

Deus quer, ainda hoje, a Sua igreja cheia do poder do Espírito Santo.
Muitos hoje afirmam terem recebido o poder de Deus somente se experimentarem uma cura, um arrepio, ou receberem uma grande soma de dinheiro. Mas Paulo ensinava um relacionamento com o Espírito Santo que ia além de pequenas experiências. A sua formula  era demonstração do Espírito e poder.
Ele queria com isso que a fé do povo não se apoiasse em suas próprias palavras, em sua sabedoria, na sabedoria do homem, mas sim no poder de Deus (v.5).
A fé de cada homem e mulher na igreja de Jesus, tem que estar apoiada no poder de Deus, nunca no homem. Se estiver no homem, cairá  junto com ele.

O que assistimos hoje?
O desenrolar de uma igreja, de um povo que busca se apoiar na sabedoria humana, uma verdadeira salada mista que por certo tem intoxicado a muitos sem se aperceberem. Sua receita é: Um pouco de humanismo, uma pitada de força da mente, outro tanto de psicologia moderna, outro da nova metodologia da administração, muito dos pensamentos filosóficos atuais, um tanto razoável de auto ajuda, sem deixar de lado uma grande soma de esforço humano. Há também pseudo revelações demonstradas por supostas grandes revelações extraídas de descobertas exegética que trazem á tona revelações escabrosas, mas que promovem pessoas  e não a pessoa de Jesus Cristo. Tudo mesclado com supostas e fabricadas demonstrações espirituais para tornar a coisa bem sobrenatural.
O que criamos? Criamos um povo dependente de astros da interpretação bíblica, de pessoas que fazem malabarismo espiritual. Rescrevemos a igreja dos judeus e gentios que queriam sinais e sabedoria (I Co. 1:22-24). A cruz para judeus não era sinal, mas sim escândalo, enquanto que a sabedoria de Jesus para os gentios era loucura.

A sua fé não pode estar apoiada em sabedoria humana, mas no poder de (v. 6-8).
A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. Há uma sabedoria que foi pré-ordenada desde a fundação do mundo, criada para nossa glória. O mundo não entende tal sabedoria, porque se compreendesse não teria morto Jesus.
Se você entende a sabedoria de Deus, não se insurgirá contra Jesus.

O que Deus tem para você só pode ser conhecido pelo Espírito Santo (v.9-11).
O que estar preparado para nós não é produto da sabedoria humana, não é produto da imaginação do homem, é celestial.
Você só poderá pensar sobre as coisas do céu pelo Espírito de Deus.
Só o Espirito Santo atinge as profundezas de Deus. Quando não buscamos o Espirito e fazemos a nossa própria inferência teológica, então produzimos sabedoria humana.
Só o Espirito Santo produz sabedoria de Deus. 

ESTA É A NOSSA MAIOR NECESSIDADE.

Texto: 1 Co 2.

Tomaz de Aquino
São Luis, 07/04/11

sexta-feira, 18 de março de 2011

Discípulos de Jesus Cristo

As igrejas evangélicas estão vivendo uma euforia decorrente do crescente número dos seus freqüentadores. Alguns líderes alardeiam: “estamos vivendo um grande avivamento”. No entanto, mesmo com o crescente numero de novos “crentes”, não há uma correspondente mudança na sociedade, assim como não se estabelece uma efetiva diferença entre os crentes e os não crentes.

O que pode estar faltando? Uma verdadeira conversão?

Entre outras respostas, constatamos uma adesão sem conversão, uma religião sem Cristo, uma fé em beneficio pessoal. Constatamos a busca pelas bênçãos sem a coragem de viver um cristianismo que dignifique a Cristo.
Ser crente é fácil, é só crer ainda que na coisa errada. Ser evangélico é simples, é só crer em um evangelho. Mas ser discípulo do Cristo exige um pouco mais, exige um novo nascimento, exige seguir o seu caminho de vida.

Ser discípulo é dar a outra face, é andar a segunda milha. É entregar também a capa. É não voltar as costas a quem te pede, é a amar os seus inimigos e orar pelos que os perseguem. É perdoar a quem o ofende, é falar sempre a verdade, é não se irar contra seu irmão.

Ser discípulo é consertar os relacionamentos para que suas ofertas e orações sejam aceitas. É ter uma justiça muito maior do que a manifesta pelos não discípulos ou mesmos os religiosos.

Será preciso experimentar uma verdadeira reconstrução em nossas vidas como discípulos. A principal das reconstruções é aquela que diz respeito ao ser com Cristo. Parecemos demais com nossos pais terrestres, vivemos pelo que herdamos deles quanto ao que diz respeito ao caráter, ao modo de vida e ao aprendizado. No entanto fomos feitos filhos do Pai celeste e a Ele devemos imitar. A velha maneira de viver deve ser abortada, pois dela fomos resgatados.

É chegado o tempo de assumirmos o verdadeiro discipulado com Cristo. Ser discípulo de verdade é imitar o modo vida de Jesus, é viver como ele viveu, é andar como ele andou. É falar o que ele falou, é calar quando ele calou. É amar como ele amou e é servir como ele serviu. Ser discípulo de Jesus é simplesmente ser cada dia um pouco mais parecido com Jesus!


Tomaz de Aquino

São Luis - Ma
18/03/11

domingo, 23 de janeiro de 2011

Construtores de Templos


A cada dia mais templos são construídos, nova “igrejas” aparecem, edifícios de uso diversos se tornam templos. Em uma esquina, em um conjunto, em um prédio comercial, em todos os lugares esses novos templos proliferam.  
Isso poderia ser tomado como uma bênção e muitos pensando assim diriam efusivamente: “glória a Deus, uma nova igreja surgiu”. Será mesmo uma bênção? Será para glória de Deus? Ou se trata de mais um negócio religioso?
Temo em dizer que a maioria dos templos abertos não me traz alguma esperança. Os vejo, não todos, construídos ou preparados por aqueles a quem Pedro chamou de “construtores de templo” que o faziam desprezando a pedra angular. Estes tais construtores de templos estão preocupados em manter a religião, em estender a sua marca, preocupados em marcar territórios estendendo os seus tentáculos institucionais sob a desculpa de que estão ampliando o Reino de Deus.
O que querem estes construtores de templo é manter o seu “status quo”, manter suas posições eclesiásticas, seu sustento e prestígio. Eles são zelosos do templo que os sustenta que garante o seu bem estar sócio econômico. São semelhantes aos construtores de templos da época dos apóstolos que quando viram a sua fonte de renda ameaçada eles trataram logo de vetarem a proclamação do nome de Jesus. Tais construtores ficaram preocupados com os ensinos de Jesus, pois este era frontalmente contra a manutenção desse sistema religioso frio, vazio e interesseiro.
Hoje é mais sutil. Os construtores pós-cristãos não vetam o nome de Jesus, mas sim, criam um novo Jesus com um novo evangelho. É uma criação hibrida uma mistura do verdadeiro com um similar, uma criação que mantém o povo alienado, manipulado, com fim de garantirem seus lucros, manter seu status e poder, criando assim um povo consumidor que come uma comida de uma panela com veneno.
Discípulos de Jesus não constroem templos, discípulos são templos do Deus vivo.
O templo em nós é construído quando o Jesus de verdade, o messias de Deus enviado ao mundo habita em nós. Ele se torna em nós a pedra principal que sustenta o templo das nossas vidas.
O que precisamos não é de novos templos de tijolos e concretos, precisamos de novas pessoas que se deixam edificar como Casa do Senhor, e onde estas pessoas estiverem estará o templo e o Senhor habitando nelas.
Não somos construtores de templos somos o templo construído pelo próprio Deus. Somos a Casa do Senhor.
Que Deus nos livre de sermos os novos construtores de templos!

Tomaz de Aquino
São Luis, 23 Janeiro 2011

sábado, 15 de janeiro de 2011

Superação global


A novela "Passione" exedeu-se em abusos. Uma senhora da alta sociedade de alto grau de pudicícia dissimulada vivia um casamento mascarado pela mentira e marcado por traições na mesma casa com o irmão do marido. Um belo exemplo para as novas senhoras da sociedade!

Foi ainda mais longe, abusou de maldades, falsidades, corrupção, traições, assim como na forte alusão à bigamia que é crime no Brasil, divulgando um novo modelo familiar - um homem e suas duas mulheres - como uma espécie do Sr. Cravo e suas duas mulheres. O fato é que o final da novela foi um círculo de horrores subestimando a inteligência da polícia, da justiça e até do senso comum.

Sem querer ser radical ou mesmo religioso, mas admitir um final onde duas mulheres no Brasil aceitam como normal dividir um homem é simplesmente uma afronta ao bom senso, ao respeito da família e a inteligência emocional das mulheres.
Ainda que isso de alguma forma já aconteça, não é uma denûncia, mas é uma espécie de introdução da nova formação familiar como algo normal. Isso, ao meu ver, denigre a imagem da mulher que se submete a uma relação absurda admitindo que não pode despertar amor em um homem para que a ame sem necessitar de complementos fora da relação,  assim como não pode ser inteligente o suficiente para ver as implicações desta relação aceitando um casamento compartilhado, com um homem dividido.

Registro o meu repúdio a este tipo de superação já que seus efeitos são negativos pois trata-se de idéias produzidas e representadas por pessoas públicas e admiradas por muitos.


Tomaz
15/01/2011

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Prometeismo Evangélico

Prometeu é um personagem da mitologia grega. Sua estória tem aspectos interessantes. Conta-se que em certa ocasião Zeus, o rei dos deuses, soberano do Monte Olimpo e deus do trovão, privou o homem do fogo - simbolicamente , da inteligência - tornando a humanidade "ignorante". Então Prometeu, o benfeitor dos homens roubou uma centelha do fogo celeste e a trouxe à Terra, reanimando os mortais. Por isso Zeus resolveu punir com mais rigor a humanidade e seu protetor. Prometeu foi punido de forma terrível: foi acorrentado com grilhões em uma coluna e tinha o fígado "roído" durante o dia por uma águia e, à noite, o órgão se regenerava. Zeus jurou que jamais o libertaria daquela prisão.

A figura trágica e rebelde de Prometeu é uma espécie de símbolo da humanidade, e sua estória tem se tornado também um arquétipo da história de líderes evangélicos no que diz respeito a usurpação do fogo divino.

Os líderes, especialmente os das grandes corporações evangélicas, são os “prometeus” da pós-modernidade, os estelionatários da religião, aqueles que roubaram ou pensam que roubaram o fogo de Deus e saem comercializando-o. Eles se consideram possuidores dos poderes de Deus a ponto de decretarem, determinarem que assim seja feito. Como “controladores” do poder divino acreditam poder determinar quando, onde e a quem será abençoado ou até amaldiçoado.

Os “prometeus” a cada dia buscam mais status no mundo da religião, quase crendo que quanto mais alto na hierarquia mais poder terão a ponto de serem capazes de reeditarem a palavra criativa de Deus – “Haja”. Esquecem-se, no entanto de que quem desejou o lugar de Deus foi transformado em diabo.

A verdade é que o poder pertence a Deus, o ungido é Jesus, as operações de milagres são do Espírito Santo de Deus. Precisamos trazer de volta a simplicidade da fé que acredita que um homem não pode receber nada se do céu não for lhe dado, que os maiores serão os menores, que o caminho de Jesus é o caminho da cruz e não do topo ou do sucesso e que ser grande no Reino de Deus é ser humilde e que tudo tem se apresentado, pedido ou decretado com a frase final “se Deus quiser”.

O prometeista esqueceu que “mais vale conquistar o seu Espírito do que conquistar uma cidade”. Esqueceu, sobretudo que os estelionatários do poder de Deus serão punidos de forma dura e da prisão onde forem lançados não sairão até que paguem o último “centavo”.

Tomaz

São Luís, 25/10/10

http://www.casadosenhor.org.br/

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Corpo de Cristo

A metáfora do corpo de Cristo empregada por Paulo foi confundida com uma grande estrutura institucional, uma engrenagem religiosa com seus rituais e práticas consagradas como divinas, mas também foi confundida com um sistema de arrecadação e promoção de status e hierarquias.

Com essa ideia, a igreja passou a ser representada por uma multidão reunida e algumas delas em alaridos e frenesi. Passou a ser representada por líderes narcisistas e megalomaníacos que, em busca dos seus sonhos e visões não medem esforços, usando quaisquer meios, desde que cumpram os seus fins desejados, que a maioria das vezes são apresentados aos seus incautos seguidores como sendo tudo “para glória de deus”.

No entanto, a ideia do corpo de Cristo era somente uma analogia ao modo de viver de Jesus na terra. O corpo de Cristo é assim definido apenas para representar pessoas dirigidas por Cristo andando sobre a terra como Cristo andou e vivendo como Cristo viveu. Não seria somente uma multidão, mas também quando dois ou três estivessem juntos em qualquer lugar, desde que a reunião fosse em nome de Jesus. Somente isso!

Mas o corpo de Cristo foi transformado numa engrenagem de manipulação econômica financeira, um agente de fomento de status fazendo com que membros desse corpo atribuam para si maiores privilégios em detrimento dos demais, se fazendo superiores e mais necessários. Pior! Reduzindo a igreja em uma estrutura, a um sistema, levamos as pessoas a buscarem uma espiritualidade consumista em vez de negar a si mesmo como é a proposta do evangelho.

Jesus, porém disse: “entre vós não será assim”- Um não governará sobre o outro, o maior será sempre o menor e o primeiro será o último.

A verdade é que a igreja, o corpo de Cristo é além de coluna e baluarte da verdade, é apenas um grupo de pessoas, homens e mulheres que se reúnem para adorar, se fortalecerem e depois ser sal da terra e luz do mundo.

Só isso! Nada mais!


Tomaz de Aquino


São Luis, 21/09/10

Casa do Senhor

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A Política na Bíblia

O simples pronunciar a palavra política, já causa arrepios em muitos, alguns até, acendem em suas mentes, luzes vermelhas de advertência. Os paradigmas “a igreja não deve se envolver com política” e, “religião e política não se misturam”, são os principais norteadores do pensamento evangélico quanto à política.  Alguns mais influenciados por esses paradigmas dirão: “a palavra política não consta nas escrituras”, enquanto que outros mais tendenciosos afirmarão: “tudo na Bíblia tem a ver com a política”.


Ambas as correntes tem fortes e comprovados argumentos, é claro, cada um segundo sua ótica, mas todos alicerçados na Bíblia. Portanto, diante destas correntes como nos posicionar? Qual delas aderir? Os extremos são perigosos, por isso alguém já disse que o ponto de equilíbrio não está no meio, mas em algum lugar entre os dois pontos.

Que partido tomar? Veja só, já estamos falando em partidos, parece que a política está onipresente. Calma, não é dos partidos políticos que nos referimos, mas de qual posição estaremos mais próximos? Entenda, mais próximos, não unidos.

Creio que os adeptos dos extremos o fazem por desconhecerem ou conhecerem o termo política de forma equivocada. Vamos entender o que significa a palavra política.

Podemos conceituá-la de forma ampliada ou mesmo de forma mais convencional. Pela forma ampliada, a palavra política denota a vida da cidade(polis) e a responsabilidade do cidadão(polites). Tem a ver com o todo na nossa vida em sociedade. É a arte de viver juntos em comunidade.
De forma mais convencional, política é a ciência de governar; é a preocupação com o desenvolvimento e a condução de negócios que interessam a um Estado, maneira de conduzir um Estado.
Com o passar dos tempos, foram sendo agregadas novas tendências para o conceito da política, ou seja: busca por interesses particulares, partidarismo, busca pelo poder (transformando-a em um campo de troca de favores), um fisiologismo institucionalizado.

Sob essas perspectivas é que analisaremos a política na Bíblia.
Segundo as formas ampliada e convencional do termo, podemos afirmar que a Bíblia é um livro que trata de política, não sob a perspectiva do homem, mas sob a perspectiva de Deus. Em primeiro lugar, sendo Deus criador, criou entre tudo, a ciência que inclui a política. Deus definiu a política do homem na terra, ou seja, este deveria governar sobre ela, sujeitando-a. Ao criar o homem e dar as suas primeiras ordens, Deus já o estava na política. Ele queria na terra um governo que refletisse o seu, do céu. A própria forma de Deus criar a terra é extremamente significativa. Ele primeiro cria os reinos (luz, céu, águas, terra, mares), depois cria os reis para governá-los (luzeiros - sol, lua e estrelas, aves e peixes, animais). No final criou aquele que seria o representante do Seu reino na terra e, por conseguinte rei sobre tudo, o homem. Desta forma estava clara a intenção política de Deus através do homem.  

Só por estas afirmações, já seriam suficientes para ver presente na Bíblia a política. Contudo podemos ainda ver mais: Deus queria um povo, que seria sua nação, um reino de sacerdotes, contudo, este preferiu admitir para si uma política de um reino igual ao da terra.
Mesmo sendo Senhor absoluto de tudo e todas as coisas, Deus sempre respeitou a terra com seus governos e políticas. Por isso utilizava os meios e poderes instituídos quando queria interferir na terra. Levou o próprio Faraó a ordenar a saída do povo de Israel do Egito, usou a política da Babilônia para preservar o reino do sul que seria o remanescente de Israel, usou o rei Artaxerxes para a reconstrução do muro e a volta do povo para Jerusalém. Deus também criou algumas instituições de governo entre seu povo e outras admitiu, tais como: O templo e o sacerdócio.

A última ação política de Deus na terra foi enviar seu filho Jesus Cristo, que seria Ele mesmo habitando conosco em comunidade. Esta sim, a grande política de Deus, a arte de viver junto com a sua criação, daí Jesus trazer no seu nome, Emanuel que significa Deus conosco. Agora seria a vez de Jesus continuar a política de Deus. Por isso chegou dizendo: “É chegado o reino de Deus”. Política de novo? Sim, mas a pura política de Deus.

Mesmo sendo clara a ação política de Deus na terra, não podemos afirmar que Ele fez a política segundo o que chamamos as novas tendências, ou seja, busca de interesses, busca pelo poder, partidarismo. Jesus em nenhum momento se envolveu com este tipo de política. Ele não fundou nenhum partido político, não organizou qualquer protesto. Nada fez para lutar contra a política de César ou Pilatos ou mesmo Herodes. Mesmo tendo a multidão que o seguia recusou a carreira política.

Esta foi uma das grandes diferenças entre Jesus e Gandhi. Enquanto Gandhi desenvolveu uma política de salvamento da Índia do poder britânico por meio da desobediência civil sem violência, Jesus desenvolveu a política de salvação do homem dando a sua vida, sem, no entanto, envolver-se com qualquer governo instituído na terra.

Poderíamos falar ainda muitas coisas, mas nunca provarmos que Deus usará a política instituída para alcançar seus objetivos entre nós. Ele, contudo, respeitará o sistema que o próprio homem criou, mas não se limita ou se submete a ele. O interesse de Deus é transformar o coração do homem, e não usará a política para fazê-lo, pois o plano já foi traçado e cumprido, ou seja, Jesus Cristo, Seu filho.

Enquanto entre os homens o processo de solução para todos os problemas é político, para Deus o processo não o é. Esta ideia de que o processo político é verdadeiro, tanto que o anticristo vai se utilizar dele para alcançar o poder. Ele se aproveitará do processo político para implantar a política do reino do seu pai Satanás. Salomão falhou como homem de muitas formas, mesmo sendo um sábio, mas um dos seus maiores erros foi como um político, pois transformou Israel em uma grande potência, quando Deus queria que fosse somente seu povo e nada mais.

Creio que este é um erro em que muitos líderes caem, mesmo visando a implantação do reino de Deus, lutam para transformar sua igreja em uma grande potência, quando Deus a quer somente como sendo o corpo de Cristo, o povo de propriedade exclusiva, uma nação santa e de eleitos, a fim de viver com este em uma comunidade eterna onde todos experimentarão a verdadeira política, que ele queria implantar no início de todas as coisas.

Ainda que a política seja necessária para o sistema de governo na terra, a fim de evitar que a anarquia e o caos se instalem em uma nação, não cremos que o processo de fazer discípulos em todas as nações conforme a ordem de Jesus, dependa do sistema político instalado.

Não pregamos a ausência da Igreja na política ou um afastamento dos políticos. Não! Somos sal e luz da terra, portanto, sal e luz da política. Faremos então política? Sim, contudo aquela que Deus idealizou: implantação do seu reino na terra, fazer conhecidas, Sua lei e Sua vontade. Deus deseja que façamos a Sua política, conforme nos ensinou Jesus: “Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.

Tomaz de Aquino

São Luis, 06/08/10

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Deus existe mesmo?


Todos os dias estamos assistindo tragédias e mais tragédias que hoje já aconteceram em todos os continentes. São, além das já costumeiras cenas de crimes hediondos, prisões de figurões, corrupção, tráficos e outros crimes, os gritos da natureza através de terremotos, maremotos, furacões, deslizamento de morros, enchentes, chuvas além da medida corrente.

Nestes últimos dias alguns municípios dos estados de Alagoas e Pernambuco foram arrasados pela enchente dos rios que correm nestas localidades. São cenas chocantes. Uma senhora entrevistada disse: “Nossa cidade se acabou, perdemos tudo, nossos sonhos, nossa casa, o futuro de nossos filhos”.

Um homem na cidade de Barreiras em Alagoas onde se deu uma das maiores destruições disse que não acredita que havia Deus nessa terra, mas ao sobreviver diante da tragédia que assolou sua cidade, acreditando que foi uma intervenção sobrenatural, afirmou: “agora eu creio que existe Deus na terra”.

A minha mente se encheu de perguntas: Será que para crermos em Deus precisamos experimentar dores, perdas ou tragédias? Será que precisamos presenciar alguma ação que admitimos ser sobrenatural para afirmar a existência de Deus?

Quando olhamos para o mundo em que vivemos e buscamos a firmação da existência de Deus além das que Ele mesmo deixou, ou seja, a natureza, o firmamento, os animais, as árvores e, sobretudo o ser humano feito como Ele mesmo é, não teremos muitas respostas satisfatórias.

Quando vemos todos os dias tragédias, desastres ecológicos, injustiças, terremotos, enchentes, vulcões praticamente extintos entrando em erupção, e por acreditar que se Deus fosse Deus mesmo Ele teria a obrigação de interferir nesse curso desordenado da natureza, só resta dizer Deus não existe.

Poder afirmar a existência de Deus somente depois de enfrentar grandes perdas e dores ou presenciar de alguma forma um livramento sobrenatural, um milagre não será uma tentativa de enquadrá-lo em um sistema de intervenções que provam ou não a sua existência?

Muitos céticos de séculos passados já quiseram de muitas formas negar a existência de Deus por não saber explicá-lo. Negavam a existência de Deus imaginando-o um ser superior ao homem muitas vezes mais, contudo sendo finito o suficiente para poder a mente humana explicá-lo.

Mas como explicar Deus? A mente humana não consegue mensurá-lo!
Deus é Deus e não precisa provar nada pra nada afirmar a sua existência. Deus é Deus intervindo ou não na vida humana ou na natureza. Ele mesmo disse: “Eu sou”.

A inexistência de Deus só cabe na mente daqueles que querem entender tudo, explicar tudo, dar uma razão para tudo que acontece nesse mundo, seja com os homens seja com a natureza.
Deus não é um homem superior aos homens. Portanto nenhuma referência pode ser tomada dos homens para tentar explicá-lo. A justiça dele não tem precedente nem na mente dos mais espirituais. A Sua justiça perdoa Manassés que queimou filhos em sacrifício, mas exige de Oséias que case com uma prostituta para ser uma espécie de analogia do seu amor a Israel. A justiça dele fere a si mesmo exigindo a morte do seu filho para não ferir de morte eterna os demais filhos criados por ele, os seres humanos.

Fomos feitos para duvidar de nós mesmos e não de Deus. Se lá no Éden os nossos pais tivessem duvidado deles mesmos, não teriam duvidado de Deus que disse que se comessem daquele fruto morreriam.

Deus existe mesmo que não o entenda, mesmo que ele não aja como desejo, mesmo que o mundo, a natureza e o homem fiquem fora do controle. Não há como sonda a mente de Deus, somente o Espírito de Deus pode esquadrinhá-la.

O escrito C.K.Chesterton já em 1908 disse: “Aceitar tudo é um exercício, entender tudo é uma tentação. O poeta apenas pede para pôr a sua cabeça nos céus. O lógico é que procura pôr os céus dentro de sua cabeça. E é a cabeça que estilhaça”.

Concluo com uma pequena paráfrase do profeta Habacuque: “Ainda que nada dê certo em minha vida, seja com os negócios ou mesmo com a família, eu continuarei crendo em Deus e me alegrando com Ele por causa da minha salvação, pois Deus é a minha força e não me permite ser inferior aos meus próprios dramas e problemas”


Tomaz de Aquino

São Luis, 23/junho/10

Casa do Senhor

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Por que os religiosos desejaram matar Jesus?

Um homem que fazia somente o bem não poderia ser alvo da morte? No entanto, foi isto que aconteceu com Jesus.
Jesus só fazia o bem. Curava os enfermos, libertava as pessoas de espíritos malignos. Sua mensagem trazia esperança a todos. Vivia boas obras!
Por que então os sacerdotes e outros religiosos desejaram matá-lo? Eles não tinham motivos justificáveis! Jesus não fundou nenhuma religião, não abriu nenhuma sinagoga própria, nem mesmo alugou um salão para suas reuniões, ou seja, não lhes oferecia alguma ameaça.

Será que não?
Os sacerdotes eram limitados não ação da religião. Viviam uma religião fria, inflexível, ritualista e, sobretudo, controladora. Mantinham o povo na dependência direta deles. Eles eram a “ligação” do povo a Deus, a possibilidade de receberem o perdão do Senhor.
Porém, Jesus viveu uma vida de elevado padrão espiritual e era admirado por todos. Pelos milagres que realizava diariamente as multidões que o seguia. Qualquer casa que Jesus entrava, estava sempre cheia (Marcos. 1: 33; 2:1; 3: 20). Jesus se apresentava como o caminho para chegar a Deus, intitulava-se como filho de Deus e algumas vezes como igual a Deus. Tudo isso era muito ameaçador! Este homem tinha que ser morto, assim pensava os religiosos.

Então decidiram matar Jesus!
Tomaram esta decisão porque consideravam Jesus uma ameaça para a posição deles, para o prestígio deles diante do povo e de Roma (João 11:48). Quando perceberam que o povo já não os buscava mais, cresceu a inveja. Seus corações diziam: “Há anos servindo a este povo e agora eles nos rejeitam por um filho de um carpinteiro? Não podemos deixá-lo crescer mais. É necessário tirá-lo do nosso caminho. Nosso prestígio está abalado, nosso sustento também. Logo esse povo não nos trará mais os dízimos. Como nos sustentaremos? De que viveremos?” A religião institucionalizada gritava por manter o seu status quo.

Muitos nos nossos dias repetem essa mesma estratégia.
Uns pelo mesmo desejo de manter o status quo, matam Jesus no evangelho e produzem um novo evangelho que aparentemente traz uma boa notícia. No entanto é algo a princípio é algo bom, mas que o fim dele é a morte.
Outros pelo mesmo desejo, ao verem surgir um novo ministério que de alguma forma ameaça o seu, então disparam a ordem interna: “vamos matá-lo”. Começa então o plano de morte: mentiras, calúnias, difamações, maldições. Não podem saber do sucesso de alguém que logo pensa que será ofuscado. O resultado interior: ”Vamos matá-lo”.
Gente assim tem a mente da escassez, com o seguinte pensamento: tenho o suficiente para mim mesmo. Caso abra alguma outra igreja pensam que vão perder seus membros, sua renda, seu prestígio. Então logo surge a decisão: “vamos matá-lo”.

Assim reeditamos os escribas, fariseus e sacerdotes da época de Jesus.
Estes são homens que, como aqueles, se tornam perseguidores e assassinos dos cristos de Deus nos dias de hoje. Suas principais marcas são: não reconhecem os seus limites, tem um sentimento messiânico, julgam ser a única ou a última revelação de Deus na terra. Por se acharem o máximo, imaginam que nunca virá alguém melhor ou maior. Porém, quando olham surgir alguém que na simplicidade prega apenas o evangelho que liberta o povo sem controles e manipulações, e que por essa mensagem atrai multidões, a inveja faz nascer um novo perseguidor, um velho fariseu.

Para não reeditarmos estes famigerados fariseus, escribas e sacerdotes, é necessário reconhecer tanto que, não há evangelho de verdade sem Jesus, que posição e reconhecimento diante dos homens não configura posição e reconhecimento diante de Deus, assim como esse mesmo Jesus está sempre chamando novos ministros que estejam dispostos a abdicar do status quo para simplesmente, ainda que na perseguição, pregar o evangelho da graça de Deus para romper as cadeias da manipulação e do controle exercidos pela religião institucionalizada.

Jesus não pode morrer novamente, mas podemos fazer da fé em Jesus um sistema frio e religioso assim, como podemos ser perseguidores dos novos cristos de Deus na terra. Podemos como novos fariseus, saduceus, escribas e sacerdotes matarmos profetas e adornarmos seus túmulos.

Que Deus nos livre disso!

Tomaz de Aquino

São Luis, 01 Junho 2010

Comunidade Casa do Senhor

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Paradigma: Tornando-nos mais semelhantes a Cristo

Sermão do Dr. John Stott pregado na Convenção de Keswick em 17 de julho de 2007.

Lembro-me muito claramente de que há vários anos, sendo um cristão ainda jovem, a questão que me causava perplexidade (e a alguns amigos meus também) era esta: Qual é o propósito de Deus para o seu povo? Uma vez que tenhamos nos convertido, uma vez que tenhamos sido salvos e recebido vida nova em Jesus Cristo, o que vem depois? É claro que conhecíamos a famosa declaração do Breve Catecismo de Westminster: “O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre”. Sabíamos disso e críamos nisso. Também refletíamos sobre algumas declarações mais breves, como uma de apenas sete palavras: “Ama a Deus e ao teu próximo”. Mas de algum modo, nenhuma delas, nem outra que pudéssemos citar, parecia plenamente satisfatória.
Portanto, quero compartilhar com vocês o entendimento que pacificou minha mente à medida que me aproximo do final de minha peregrinação neste mundo. Esse entendimento é: Deus quer que seu povo se torne semelhante a Cristo. A vontade de Deus para o seu povo é que sejamos conformes à imagem de Cristo.
Sendo isso verdade, quero propor o seguinte: em primeiro lugar, demonstrarmos a base bíblica do chamado para sermos conformes à imagem de Cristo; em segundo, extrairmos do Novo Testamento alguns exemplos; em terceiro, tirarmos algumas conclusões práticas a respeito. Tudo isso relacionado a nos assemelharmos a Cristo.
Então, vejamos primeiro a base bíblica do chamado para sermos semelhantes a Cristo. Essa base não se limita a uma passagem só. Seu conteúdo é substancial demais para ser encapsulado em um único texto. De fato, essa base consiste de três textos, os quais, aliás, faríamos muito bem em incorporar conjuntamente à nossa vida e visão cristã: Romanos 8:29, 2 Coríntios 3:18 e 1 João 3:2. Vamos fazer uma breve análise deles.
Romanos 8:29 diz que Deus predestinou seu povo para ser conforme à imagem do Filho, ou seja, tornar-se semelhante a Jesus. Todos sabemos que Adão, ao cair, perdeu muito — mas não tudo — da imagem divina conforme a qual fora criado. Deus, todavia, a restaurou em Cristo. Conformar-se à imagem de Deus significa tornar-se semelhante a Jesus: O propósito eterno de predestinação divina para nós é tornar-nos conformes à imagem de Cristo.
O segundo texto é 2 Coríntios 3:18: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”. Portanto é pelo próprio Espírito que habita em nós que somos transformados de glória em glória — que visão magnífica! Nesta segunda etapa do processo de conformação à imagem de Cristo, percebemos que a perspectiva muda do passado para o presente, da predestinação eterna de Deus para a transformação que ele opera em nós agora pelo Espírito Santo. O propósito eterno da predestinação divina de nos tornar como Cristo avança, tornando-se a obra histórica de Deus em nós para nos transformar, por intermédio do Espírito Santo, segundo a imagem de Jesus.
Isso nos leva ao terceiro texto: 1 João 3:2: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é”. Não sabemos em detalhes como seremos no último dia, mas o que de fato sabemos é que seremos semelhantes a Cristo. Não precisamos saber de mais nada além disso. Contentamo-nos em conhecer a verdade maravilhosa de que estaremos com Cristo e seremos semelhantes a ele, eternamente.
Aqui há três perspectivas: passado, presente e futuro. Todas apontam na mesma direção: há o propósito eterno de Deus, pelo qual fomos predestinados; há o propósito histórico de Deus, pelo qual estamos sendo transformados pelo Espírito Santo; e há o propósito final ou escatológico de Deus, pelo qual seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é. Estes três propósitos — o eterno, o histórico e o escatológico — se unem e apontam para um mesmo objetivo: a conformação do homem à imagem de Cristo. Este, afirmo, é o propósito de Deus para o seu povo. E a base bíblica para nos tornarmos semelhantes a Cristo é o fato de que este é o propósito de Deus para o seu povo.
Prosseguindo, quero ilustrar essa verdade com alguns exemplos do Novo Testamento. Em primeiro lugar, creio ser importante que nós façamos uma afirmação abrangente como a do apóstolo João em 1 João 2:6: “Aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou”. Em outras palavras, se nos dizemos cristãos, temos de ser semelhantes a Cristo. Este é o primeiro exemplo do Novo Testamento: temos de ser como o Cristo Encarnado.
Alguns de vocês podem ficar horrorizados com essa idéia e rechaçá-la de imediato. “Ora”, me dirão, “não é óbvio que a Encarnação foi um evento absolutamente único, não sendo possível reproduzi-lo de modo algum?” Minha resposta é sim e não. Sim, foi único no sentido de que o Filho de Deus revestiu-se da nossa humanidade em Jesus de Nazaré, uma só vez e para sempre, o que jamais se repetirá. Isso é verdade. Contudo, há outro sentido no qual a Encarnação não foi um evento único: a maravilhosa graça de Deus manifestada na Encarnação de Cristo deve ser imitada por todos nós. Nesse sentido, a Encarnação não foi única, exclusiva, mas universal. Somos todos chamados a seguir o supremo exemplo de humildade que ele nos deu ao descer dos céus para a terra. Por isso Paulo diz em Filipenses 2:5-8: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”. Precisamos ser semelhantes a Cristo em sua Encarnação no que diz respeito à sua admirável humildade, uma humilhação auto-imposta que está por trás da Encarnação.
Em segundo lugar, precisamos ser semelhantes a Cristo em sua prontidão em servir. Agora, passemos de sua Encarnação à sua vida de serviço; de seu nascimento à sua vida; do início ao fim. Quero convidá-los a subir comigo ao cenáculo onde Jesus passou sua última noite com os discípulos, conforme vemos no evangelho de João, capítulo 13: “Tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido”. Ao terminar, retomou seu lugar e disse-lhes: “Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo” — note-se a palavra — “para que, como eu vos fiz, façais vós também”.
Há cristãos que interpretam literalmente esse mandamento de Jesus e fazem a cerimônia do lava-pés em dia de Ceia do Senhor ou na Quinta-feira Santa — e podem até estar certos em fazê-lo. Porém, vejo que a maioria de nós fez apenas uma transposição cultural do mandamento de Jesus: aquilo que Jesus fez, que em sua cultura era função de um escravo, nós reproduzimos em nossa cultura sem levarmos em conta que nada há de humilhante ou degradante em o fazermos uns pelos outros.
Em terceiro lugar, temos de ser semelhantes a Cristo em seu amor. Isso me lembra especificamente Efésios 5:2: “Andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave”. Observe que o texto se divide em duas partes. A primeira fala de andarmos em amor, um mandamento no sentido de que toda a nossa conduta seja caracterizada pelo amor, mas a segunda parte do versículo diz que ele se entregou a si mesmo por nós, descrevendo não uma ação contínua, mas um aoristo, um tempo verbal passado, fazendo uma clara alusão à cruz. Paulo está nos conclamando a sermos semelhantes a Cristo em sua morte, a amarmos com o mesmo amor que, no Calvário, altruistamente se doa.
Observe a idéia que aqui se desenvolve: Paulo está nos instando a sermos semelhantes a Cristo na Encarnação, ao Cristo que lava os pés dos irmãos e ao Cristo crucificado. Esses três acontecimentos na vida de Cristo nos mostram claramente o que significa, na prática, sermos conformes à imagem de Cristo.
Em quarto lugar, temos de ser semelhantes a Cristo em sua abnegação paciente. No exemplo a seguir, consideraremos não o ensino de Paulo, mas o de Pedro. Cada capítulo da primeira carta de Pedro diz algo sobre sofrermos como Cristo, pois a carta tem como pano de fundo histórico o início da perseguição. Especialmente no capítulo 2 de 1 Pedro, os escravos cristãos são instados a, se castigados injustamente, suportarem e não retribuírem o mal com o mal. E Pedro prossegue dizendo que para isto mesmo fomos chamados, pois Cristo também sofreu, deixando-nos o exemplo — outra vez a mesma palavra — para seguirmos os seus passos. Este chamado para sermos semelhantes a Cristo em meio ao sofrimento injusto pode perfeitamente se tornar cada vez mais significativo à medida que as perseguições se avolumam em muitas culturas do mundo atual.
No quinto e último exemplo que quero extrair do Novo Testamento, precisamos ser semelhantes a Cristo em sua missão. Tendo examinado os ensinos de Paulo e de Pedro, veremos agora os ensinos de Jesus registrados por João. Em João 17:18, Jesus, orando, diz: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo”, referindo-se a nós. E na Comissão, em João 20:21, Jesus diz: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”. Estas palavras carregam um significado imensamente importante. Não se trata apenas da versão joanina da Grande Comissão; é também uma instrução no sentido de que a missão dos discípulos no mundo deveria ser semelhante à do próprio Cristo. Em que aspecto? Nestes textos, as palavras-chave são “envio ao mundo”. Do mesmo modo como Cristo entrou em nosso mundo, nós também devemos entrar no “mundo” das outras pessoas. É como explicou, com muita propriedade, o Arcebispo Michael Ramsey há alguns anos: “Somente à medida que sairmos e nos colocarmos, com compaixão amorosa, do lado de dentro das dúvidas do duvidoso, das indagações do indagador e da solidão do que se perdeu no caminho é que poderemos afirmar e recomendar a fé que professamos”.
Quando falamos em “evangelização encarnacional” é exatamente disto que falamos: entrar no mundo do outro. Toda missão genuína é uma missão encarnacional. Temos de ser semelhantes a Cristo em sua missão. Estas são as cinco principais formas de sermos conformes à imagem de Cristo: em sua Encarnação, em seu serviço, em seu amor, em sua abnegação paciente e em sua missão.
Quero, de modo bem sucinto, falar de três conseqüências práticas da assemelhação a Cristo.
Primeira: A assemelhação a Cristo e o sofrimento. Por si só, o tema do sofrimento é bem complexo, e os cristãos tentam compreendê-lo de variados pontos de vista. Um deles se sobressai: aquele segundo o qual o sofrimento faz parte do processo da transformação que Deus faz em nós para nos assemelharmos a Cristo. Seja qual for a natureza do nosso sofrimento — uma decepção, uma frustração ou qualquer outra tragédia dolorosa —, precisamos tentar enxergá-lo à luz de Romanos 8:28-29. Romanos 8:28 diz que Deus está continuamente operando para o bem do seu povo, e Romanos 8:29 revela que o seu bom propósito é nos tornar semelhantes a Cristo.
Segunda: A assemelhação a Cristo e o desafio da evangelização. Provavelmente você já se perguntou: “Por que será que, até onde percebo, em muitas situações os nossos esforços evangelísticos freqüentemente terminam em fracasso?” As razões podem ser várias e não quero ser simplista, mas uma das razões principais é que nós não somos parecidos com o Cristo que anunciamos. John Poulton, que abordou o tema num livreto muito pertinente, intitulado A Today Sort of Evangelism, escreveu:
“A pregação mais eficaz provém daqueles que vivem conforme aquilo que dizem. Eles próprios são a mensagem. Os cristãos têm de ser semelhantes àquilo que falam. A comunicação acontece fundamentalmente a partir da pessoa, não de palavras ou idéias. É no mais íntimo das pessoas que a autenticidade se faz entender; o que agora se transmite com eficácia é, basicamente, a autenticidade pessoal”.
Isto é assemelhar-se à imagem de Cristo. Permitam-me dar outro exemplo. Havia um professor universitário hindu na Índia que, certa vez, identificando que um de seus alunos era cristão, disse-lhe: “Se vocês, cristãos, vivessem como Jesus Cristo viveu, a Índia estaria aos seus pés amanhã mesmo”. Eu penso que a Índia já estaria aos seus pés hoje mesmo se os cristãos vivessem como Jesus viveu. Oriundo do mundo islâmico, o Reverendo Iskandar Jadeed, árabe e ex-muçulmano, disse: “Se todos os cristãos fossem cristãos — isto é, semelhantes a Cristo —, hoje o islã não existiria mais”.
Isto me leva ao terceiro ponto: Assemelhação a Cristo e presença do Espírito Santo em nós. Nesta noite falei muito sobre assemelhação a Cristo, mas será que ela é alcançável? Por nossas próprias forças é evidente que não, mas Deus nos deu seu Santo Espírito para habitar em nós e nos transformar de dentro para fora. William Temple, que foi arcebispo na década de 40, costumava ilustrar este ponto falando sobre Shakespeare:
“Não adianta me darem uma peça como Hamlet ou O Rei Lear e me mandarem escrever algo semelhante. Shakespeare era capaz, eu não. Também não adianta me mostrarem uma vida como a de Jesus e me mandarem viver de igual modo. Jesus era capaz, eu não. Porém, se o gênio de Shakespeare pudesse entrar e viver em mim, então eu seria capaz de escrever peças como as dele. E se o Espírito Santo puder entrar e habitar em mim, então eu serei capaz de viver uma vida como a de Jesus”.
Para concluir, um breve resumo do que tentamos pensar juntos aqui hoje: O propósito de Deus é nos tornar semelhantes a Cristo. O modo como Deus nos torna conformes à imagem de Cristo é enchendo-nos do seu Espírito. Em outras palavras, a conclusão é de natureza trinitária, pois envolve o Pai, o Filho e o Espírito Santo.